segunda-feira, 24 de setembro de 2012

"COMO SE FOSSE O ÚLTIMO" (ANA JÁCOMO)




"COMO SE FOSSE O ÚLTIMO"
(ANA JÁCOMO)

Quem dera eu aprendesse a viver cada dia como se fosse o último.

O último para dizer “obrigada”.
O último para dizer “me desculpa”.
O último para dizer “eu te amo”.

O último para abraçar cada pessoa amada com aquele abraço bom que faz um coração cantar para o outro.

O último para apreciar a vida com o entusiasmo que não guarda nenhuma delícia nem ternura pra depois.

O último para fazer as pazes.
Para desfazer enganos.

Para saborear com calma, como se me servissem um banquete, a preciosidade genuína que cada único respiro humano representa.


Quem dera eu aprendesse a viver cada dia como se fosse o último.

O último pra esquecer tolices.

O último para ignorar o que, no fim das contas, não tem a menor importância.

O último para rir até o coração dançar.

O último para chorar toda dor que não transbordou e virou nódoa no tecido da vida.

O último para deixar o coração aprontar todas as artes que quiser.

O último para ser útil em toda circunstância que me for possível.

O último para não deixar o tempo escoar inutilmente entre os dedos das horas.


Quem dera eu aprendesse a viver cada dia como se fosse o último.

O último para me maravilhar diante de cada expressão da natureza com o olhar demorado de quem olha pela primeira vez.

O último para ouvir aquela música que acende sóis por toda a extensão da minha alma.

O último para ler, de novo, o poema que diz tanto de mim que eu me sinto caber nos olhos do poeta que o escreveu.

O último para desembaraçar os fios emaranhados dos medos que me acompanham.


Quem dera eu aprendesse a viver cada dia como se fosse o último.

Eu não perderia uma chance para me presentear com os agrados que me nutrem.

Eu criaria mais oportunidades

 Para dizer o meu amor.
Para expressar a minha admiração.
Para destacar para cada pessoa a beleza singular que ela tem.
Para compartilhar.

Eu não adiaria delicadezas.
Não pouparia compreensão.

Não desperdiçaria energia com perigos imaginários e com uma série de bobagens que só me afastam da vida.

Quem dera eu aprendesse a viver cada dia como se fosse o último, porque pode ser.

Nenhum comentário:

Postar um comentário