quinta-feira, 18 de outubro de 2012

"MÃES MORREM QUANDO QUEREM"

Oct 30, '08 9:07 PM
for everyone
Recebí este texto hoje e quero compartilhá-lo.
 Achei-o tão lindo, tão claro, tão bem colocado!
Tão verdadeiro!
Mãe é assim mesmo! Os filhos vão tentando matar a gente a cada fase de suas vidinhas, mas a gente vai renascendo com uma Fênix das cinzas de suas infâncias, adolescências, juventude e maturidade.
E, por mais que eles não nos queiram por perto, é para o nosso "colinho de mãe" que retornam sempre.
E no dia que a morte nos arrebata de verdade...

Mães Morrem Quando Querem...
 Eu tinha 7 anos quando matei minha mãe pela primeira vez.
 Eu não a queria junto a mim quando chegasse à escola em meu 1º dia de  aula.
 Eu me achava forte o suficiente para enfrentar os desafios que a nova  vida iria me trazer.
 Poucas semanas depois descobri aliviado que ela ainda estava lá,  pronta para me defender não somente daqueles garotos brutamontes que  me ameaçavam, como das dificuldades intransponíveis da tabuada.
 
 Quando fiz 14 anos eu a matei novamente.
 Não a queria me impondo regras ou limites, nem que me impedisse de  viver a plenitude dos vôos juvenis.
 Mas logo no primeiro porre eu felizmente a descobri rediviva - foi  quando ela não só me curou da ressaca, como impediu que eu levasse uma  vergonhosa surra de meu pai.
 
 Aos 18 anos achei que mataria minha mãe definitivamente, sem chances  para ressurreição.
 Entrara na faculdade,iria morar em república, faria política  estudantil, atividades em que a presença materna não cabia em nenhuma  hipótese.
 Ledo engano: quando me descobri confuso sobre qual rumo seguir voltei  à casa materna, único espaço possível de guarida e compreensão.
 
 Aos 23 anos me dei conta de que a morte materna era possível, apenas  requeria lentidão...
 Foi quando me casei, finquei bandeira de independência e segui viagem.
 Mas bastou nascer a primeira filha para descobrir que o bicho 'mãe' se  transformara num espécime ainda mais vigoroso chamado 'avó'.
 Para quem ainda não viveu a experiência, avó é mãe em dose dupla...
 
 Apesar de tudo continuei acreditando na tese da morte lenta e  demorada, e aos poucos fui me sentindo mais distante e autônomo, mesmo  que a intervalos regulares ela reaparecesse em  minha vida desempenhando papéis importantes e únicos, papéis que  somente ela poderia protagonizar...
 
 Mas o final dessa história, ao contrário do que eu sempre imaginei,  foi ela quem definiu: quando menos esperava, ela decidiu morrer.
 Assim, sem mais, nem menos, sem pedir licença ou permissão, sem data  marcada ou ocasião para despedida.
 Ela simplesmente se foi, deixando a lição que mães são para sempre.
 
 Ao contrário do que sempre imaginei, são elas que decidem o quanto  esta eternidade pode durar em vida, e o quanto  fica relegado para o etéreo terreno da saudade...e que saudades enormes elas deixam na gente!
(Alexandre Pelegi)

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